ASSOCIAÇÃO NAVAL DO GUADIANA

O RIO, A A.N.G., A NÁUTICA NO GUADIANA, O PORTO DE RECREIO

O rio Guadiana é, em área, o quarto rio mais importante da Península Ibérica, atrás do Douro, do Ebro e do Tejo, correndo por 810 km, com uma bacia hidrográfica de 66.960 km2.

Desde tempos imemoriais foi navegado e utilizado como via de transporte, de forma natural, dando vida a múltiplos povos que habitaram, mas suas margens.

Em meados do século XIX, uma velha mina romana foi redescoberta e a partir de então teve lugar a exploração mineira que lhe trouxe um novo tipo de tráfego fluvial de cargueiros e até navios de guerra ingleses, em paralelo coma navegação tradicional.

Os habitantes das margens, nos dois países, habituaram-se à presença das velas que representavam o trabalho, os galeões, as traineiras e enviadas, as barcaças do atum, ou as atividades corsárias, até que, dobrados os anos 60 do Século XX, um novo tipo velas mais ligeiras, de recreio e competição foi, pouco a pouco, decorando a paisagem, acompanhando as atividades mais antigas da natação e do remo.
 

Hoje, na náutica de recreio, o rio Guadiana é sulcado por belos veleiros, permanecendo largas centenas fundeados ao longo do seu curso da Foz ao Pomarão.

A zona da embocadura, frente a Vila Real de Santo António, assiste a importantes competições, em várias modalidades como vela, canoagem, pesca desportiva, jet-sky, e às quais não falta a mais recente e potente atividade, a motonáutica.

Hoje os jovens do território podem disfrutar do seu rio, praticando as mais variadas atividades e modalidades.

A navegabilidade do rio, devido a alterações do seu regime hídrico ou de transporte de sedimento fluvial, está bastante afetada e, até à presente data, as autoridades ainda não conseguiram a resposta adequada para dar uma resposta aos desafios do presente que possam permitir uma subida ao menos até Mértola e a abertura da barra a navios de grande porte.

São os desafios do futuro, porque ansiaram e anseiam gerações de fronteiriços.

Na época romana, abraçava o mar em delta “bífido”, com dois canais. Ao longo dos tempos um destes foi-se progressivamente assoreando até se converte delta monocanal, dominado pelos processos associados à onda. É o único delta português diretamente exposto à ação marinha. As marés são do tipo semidiurno, com amplitude máxima de 3,44m segundo informações do Instituto Hidrográfico.

 

Na desembocadura, as correntes de maré são de cerca de 0,6 m/s no pico da maré enchente, e cerca de 1,2 m/s no pico da maré vazante. O clima de agitação marítima é dominado por ondas de W e SW (cerca de 50% das ocorrências), correspondendo as de SE a cerca de 25%, sendo a altura significativa média 0,9 m, o período médio 4,6 s e o período de pico 8 s. A resultante anual da deriva litoral é de Oeste para Este, estando estimada entre 150 000m3 e 300 000m3.

O Guadiana teve sempre uma barra difícil, pela presença do Banco de d’OBril, um banco arenoso externo do estuário, que limitou fortemente o calado dos navios que praticavam a barra, obrigando grande parte deles a saírem do estuário sem a carga completa, sendo acabados de carregar já no exterior, com recurso a pequenos barcos. A exploração da Mina de S. Domingos e a Campanha do Trigo de Oliveira Salazar tiveram grande impacto na criação de sedimentos devido, entre outros processos, à destruição do coberto vegetal das margens e ao arrastamento de grandes quantidades de sedimentos que fizeram crescer o Baixo d’Obril, a par dos temporais e cheias, tornando perigosa a prática da barra. A grande cheia de 1876 foi um exemplo de como a violência do caudal exportou grande parte do banco d’Obril para a plataforma continental.

Desde 1912 que a barra do Guadiana é sistematicamente dragada, entre 1912 e 1921 a média anual de volumes dragados ultrapassou os 200.000 m3, prosseguindo os trabalhos até à década de 30, no sentido de manter profundidades de seis metros em situação de maré vazia, assim permitindo a circulação dos navios; Os impactes da drástica redução dos escoamentos anuais, bem como das cheias, no transporte fluvial de areias e na exportação sedimentar para a plataforma continental e litoral adjacente contribuiu, seguramente, para a progressiva redução da área do banco de O’Bril, a um ritmo médio de 48m2/ano, a qual, em 1978, era de apenas 1,9km2. Outra das consequências foi, seguramente, a intensificação do assoreamento do baixo estuário por areias marinhas.

 

Entre 1972 e 1974 foram construídos na foz do Guadiana, dois molhes, um a poente, com cerca de 2.000 m, e outro a nascente, submerso, com 1.300m, para canalização da corrente. Os molhes provocaram estreitamento da secção do canal, a qual, junto à barra, passou de cerca de 1km, em 1969, para 0,5km, em 1999, o que, obviamente, se traduziu num aumento da competência do fluxo de saída e, consequentemente, na progradação de areias sobre o corpo lodoso adjacente que existe na plataforma continental. O molhe poente provocou a interrupção da deriva litoral, cuja resultante anual é de ocidente para oriente. Por este facto começaram a acumular-se, contra o molhe poente, grandes quantidades de areias. No sentido de diminuir as taxas de acumulação, construiu-se mesmo, a cerca de 1,2km para poente, um esporão (para retenção de areias) com cerca de 300m. Verificou-se que, até 1980, o esporão aludido reteve praticamente toda a deriva litoral, estimada em cerca de 80.000m3/ano, agravando bastante os problemas de erosão costeira no litoral espanhol, a oriente da foz do Guadiana.

Em meados da década de 80, o molhe aludido ficou colmatado, começando a areia a transpor, em quantidades significativas, a cabeça do molhe, indo alimentar, de alguma forma, o litoral a oriente, o que se traduziu num amortecimento da erosão costeira aí existente. São já sentidos os impactos que a gestão do caudal do Rio Guadiana, por parte da empresa que gere o Alqueva, bem com a necessidade de dragagens que restituam a vida e a navegabilidade ao Guadiana.

É hoje sentido um forte assoreamento ao longo de todo o curso, e muito especialmente frente a Ayamonte, na desembocadura da ribeira da carrasqueira, e no troço entre Alcoutim e Mértola.

Torna-se inquestionável o positivo impacto que o Porto de Recreio do Guadiana teve na economia local e na atividade do Baixo Guadiana, bem como a atividade desenvolvida pela Associação Naval do Guadiana. É sem dúvida a grande obra de relevo e valia económica da frente ribeirinha nos últimos 70 anos.

Com a crise da atividade piscatória, da indústria conserveira e da construção naval, a náutica desportiva recreativa, e o desenvolvimento das marítimo turísticas com melhor aproveitamento das excelentes condições naturais, são sem dúvida o futuro de todo o Baixo Guadiana, que com a recente credenciação da ESTAÇÃO NAUTICA DO BAIXO GUADIANA, pode vir a ter o tão alvejado incremento e desenvolvimento turístico de qualidade desta zona, neste grande rio do sul.  

Entretanto, haja boas vontades, visões alargadas e futuristas, vento, força de braços para a natação, remo, canoagem e vento para a vela, combustível para os depósitos para que náutica de recreio continue a exercer o seu papel lúdico da atividade humana. E que a ação política e de desenvolvimento dos responsáveis não falte.

 

 

ANG

O dia 11 de Fevereiro de 1983 ficaria registado como o dia da fundação da Associação Naval do Guadiana levada a bom porto por um grupo de nautas praticantes de vela e canoagem com a intenção de criar um clube exclusivamente dedicado a atividades náuticas desportivas de recreio e de competição.

Este grupo de velejadores e remadores, em grande parte ex-praticantes do Centro de Vela e Rema da Mocidade Portuguesa que após o 25 de Abril foram dirigidos pela Direção Geral de Desportos sentiram que as coletividades a nível local entretanto criadas teriam perdido o foco nos desportos náuticos e no seu desenvolvimento local, o que poria em causa o trabalho desenvolvido e embarcaram num projeto inovador e ambicioso que hoje constitui um dos maiores clubes náuticos em Portugal.

 

 

PORTO DE RECREIO

Desde o primeiro momento da criação da Associação Naval do Guadiana enquanto entidade inteiramente dedicada ao desenvolvimento da náutica de recreio e lazer que o projeto de um porto de recreio localizado em Vila Real de Santo António com a capacidade de apoiar toda a atividades de turismo e lazer associadas foi uma prioridade pela qual os seus responsáveis nunca abdicaram de lutar.

A falta de apoios e a forma desconfiada como os responsáveis políticos locais de então, olhavam para o projeto, criou sérias dificuldades iniciais, superadas com muita persistência e determinação, e sobretudo com a consciência e clareza dos objetivos, que aliás se vieram a confirmar como os mais acertados.

Foram adquiridos equipamentos para criar a primeira infraestrutura de apoio ao recreio para cerca de 100 embarcações, instalada no antigo porto de pesca, destinada a embarcações de sócios e visitantes sendo a única do género desde Cádiz até Vilamoura, e que consideramos ter sido a alavanca principal e a chave do grande sucesso que hoje a ANG representa a nível nacional.

No início da década de 90 e por insistência da ANG, a Direção Geral de Portos lança o concurso para a construção do Porto de Recreio junto ao jardim marginal de Vila Real de Santo António com um projeto semelhante ao que fora preconizado pela instituição. Nas condições de concurso público conceção construção, ficou desde logo incluído a inclusão da infraestrutura existente anteriormente mencionada, tendo a ANG, tido um papel importantíssimo no desenho e layout final do Porto de Recreio como se pode apreciar na vasta documentação contida no livro “Nautica Desportiva e Recreativa  no RIO GUADIANA”, editado pela ANG em 2013 nas comemorações do 31º aniversário.

 

Prontamente a ANG reúne um conjunto de recomendações e declarações de apoio para a apoia a sua candidatura a entidade exploradora do Porte de Recreio que foi formalizada em novembro de 1995, com um complexo processo que decorreu por vários anos (até 2001) e que terminou já com o Porto de Recreio em funcionamento, tendo as primeiras embarcações sido transferidas no final de 1997.

Apos a cedência do títulos de exploração da infraestrutura inicial foi necessário passar rapidamente a uma atuação e gestão semiprofissionalizada, o quadro de pessoal aumentou significativamente.

O Porto de Recreio do Guadiana foi então uma realidade, estava cumprido o objetivo prioritário preconizado na fundação do clube, a nossa cidade era agora uma cidade virada para a náutica e com maior atratividade que outras com muito mais peso político, o crescimento foi evidente.

Já em 2009 são inauguradas as novas instalações para o Porto de Recreio, dignificando a zona e transformando-a por completo, passamos a dar aos vila-realenses 2 espaços de referência na zona ribeirinha destinados ao lazer e ao gozo das paisagens edílicas do Guadiana.

Hoje a nossa cidade é um destino náutico e a ANG, é uma peça fundamental economia local e o alargamento para sul do atual Porto de Recreio duplicando a sua capacidade é o nosso objetivo principal. TEMOS DE CONSEGUIR.

 

 

NÁUTICA DO GUADIANA

Desde tempos imemoriais, desde que o homem aprendeu a flutuar as águas, primeiro a nado, depois em jangada e embarcações, que este rio do Sul, o quarto em importância da Península Ibérica, acolheu gerações de remadores e velejadores, primeiro por necessidades económicas, depois nas atividades de recreio e lazer.

A paisagem natural, a mansidão das águas, a força benigna das brisas e os vilarealenses que se apaixonaram pela náutica de recreio desde os anos trinta do seculo XX, protagonizaram, segundo José Estevão da Cruz, jornalista e escritor da cidade, a história que se conta na Publicação da ANG “A Náutica Desportiva e Recreativa no Rio Guadiana”.

 

Este documento elaborado sob a sua coordenação recolhe um vasto conjunto de documentação oficial, fotografia e recortes de jornal devidamente enquadradas e contextualizadas historicamente que fica ao dispor de todos interessados e aos visitantes deste site em formato digital. Existe ainda a possibilidade de compra desta obra na sede social do clube.

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